segunda-feira, 24 de março de 2008

o lobo e a raposa

20 cm x 20 cm

sexta-feira, 7 de março de 2008

Os laços invisíveis

Um sonho de geometria e clareza, um cristalino edifício de omnipresente geometria. O delírio das formas naturais, vegetais e orgânicas. Uma flor que se transforma numa criança luminosa e esta numa madrugada sublime (Philip Otto Runge). A luz matinal e a fantástica floração. O fascínio de um orgão na sua sombria perfeição funcional. Uma minúscula flor é igual ao céu, tem a mesma organização estrutural, a mesma luxuosa simetria

O Edifício possui a consciência das estruturas de tensão, linhas de força e suspensão. Ele é um corpo estranho, hibrído, belo e luzidio, mineral, orgânico, seco, vegetal, mutante, uma natureza cristalizada, um corpo sexual definido por tensões simétricas, leves e resistentes, como uma flor ou um esqueleto. Uma estrutura orgânica que se ordena numa lógica de tensões e forças seguindo secretos desenhos de filamentos de violência pura.

Saber ver, saber ler, saber ouvir. saber não saber nada. A mais pequena flor representa um pensamento.



(bocadinhos de texto roubados a "O silêncio de...", de Rui Chafes
música: Blume, de Einsturzende Neubauten)

terça-feira, 4 de março de 2008

Aprender a duvidar

"(...) Não tenhamos ilusões: uma academia é absolutamente necessária para o aluno aprender que ela não é absolutamente necessária.

Os artistas que nunca frequentaram uma escola de Belas-Artes (e não são poucos) apenas perderam a ocasião e as condições para experimentar e ensaiar caminhos, não perderam a Arte.(...)

A escultura não se aprende. A escultura não se faz, a escultura não é barro. A escultura constrói-se com o que se tem à mão ou nos é mais familiar: ferro, pedra, alcatrão, papel, fotografia, lápis, video, voz, luz, corda, palavras, cimento, palavras de cimento. Uma escultura não é uma existência definitiva nem é esse o seu valor. Uma escultura é um módulo de pensamento, é apenas uma possibilidade, uma hipótese. É uma dúvida, que se transmite a outros (só a alguns, não a todos). É um homem pendurado por um fio, de cabeça para baixo, a tentar manter-se acordado.

Na minha experiência pessoal tive o privilégio de poder conhecer algumas pessoas extraordinárias, entre professores e alunos (aprendi muito com eles) e a oportunidade de lidar com pessoas medíocres, entre professores e alunos, o que me preparou para enfrentar o mundo real, onde há tanta gente medíocre. Também a estes estou profundamente reconhecido. O pior que pode suceder a um jovem candidato a artista é ter ilusões acerca de uma escola de Belas-Artes. Ela é apenas um local onde artistas, teóricos e alguma pessoas ligadas à arte tentam desenvolver estruturas que permitam aos menos experientes ultrapassar a sua insegurança e atacar, de frente, aquilo que acham que pretendem fazer."

Rui Chafes, "O silêncio de..."

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008


ilustração de Richard Câmara

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Todas as cartas de amor são ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Álvaro de Campos