"Há um tempo em que as ideias nos tiranizam, em que não passamos de uma vítima infeliz dos pensamentos do outro. Esta “posse” por outro parece ocorrer em períodos de despersonalização, quando os “eus” antagónicos se descolam, por assim dizer. Normalmente, somos impenetráveis às ideias; elas vêm e vão, são aceitas ou rejeitadas, vestidas como camisas e despidas como peúgas sujas. Mas naqueles períodos a que chamamos crises, quando a mente se fende e estilhaça como um diamante sob as investidas de um malho, as ideias inocentes de um sonhador agarram-se, fixam-se nas fissuras do cérebro, e, por qualquer subtil processo de infiltração, provocam uma codificação definida e irrevogável da personalidade. Exteriormente, pouco muda, o indivíduo afectado não começa a comportar-se, de súbito, de modo diferente; pelo contrário, até pode comportar-se de modo mais “normal” do que antes. Esta normalidade aparente assume, de modo crescente, a característica de um dispositivo de protecção. Do disfarce superficial o indivíduo passa para o disfarce interior. A cada nova crise, porém, torna-se mais consciente de uma mudança que não é mudança e sim, antes, a intensificação de algo profundamente oculto nele. Agora, quando fecha os olhos, pode realmente ver-se. Já não é uma máscara: vê sem ver, para ser exacto. Visão sem vista, uma apreensão fluida de intangíveis: a fusão de vista e som - o coração da teia. Aí confluem as personalidades distantes que se esquivam ao contacto rude dos sentidos; aí se sobrepõem discretamente, em vivas e vibrantes harmonias, as notas dominantes do reconhecimento. Não se emprega nenhuma linguagem, não se delineiam quaisquer contornos."
"Sexus", Henri Miller
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Os laços invisíveis
Um sonho de geometria e clareza, um cristalino edifício de omnipresente geometria. O delírio das formas naturais, vegetais e orgânicas. Uma flor que se transforma numa criança luminosa e esta numa madrugada sublime (Philip Otto Runge). A luz matinal e a fantástica floração. O fascínio de um orgão na sua sombria perfeição funcional. Uma minúscula flor é igual ao céu, tem a mesma organização estrutural, a mesma luxuosa simetria
O Edifício possui a consciência das estruturas de tensão, linhas de força e suspensão. Ele é um corpo estranho, hibrído, belo e luzidio, mineral, orgânico, seco, vegetal, mutante, uma natureza cristalizada, um corpo sexual definido por tensões simétricas, leves e resistentes, como uma flor ou um esqueleto. Uma estrutura orgânica que se ordena numa lógica de tensões e forças seguindo secretos desenhos de filamentos de violência pura.
Saber ver, saber ler, saber ouvir. saber não saber nada. A mais pequena flor representa um pensamento.
(bocadinhos de texto roubados a "O silêncio de...", de Rui Chafes
música: Blume, de Einsturzende Neubauten)
O Edifício possui a consciência das estruturas de tensão, linhas de força e suspensão. Ele é um corpo estranho, hibrído, belo e luzidio, mineral, orgânico, seco, vegetal, mutante, uma natureza cristalizada, um corpo sexual definido por tensões simétricas, leves e resistentes, como uma flor ou um esqueleto. Uma estrutura orgânica que se ordena numa lógica de tensões e forças seguindo secretos desenhos de filamentos de violência pura.
Saber ver, saber ler, saber ouvir. saber não saber nada. A mais pequena flor representa um pensamento.
(bocadinhos de texto roubados a "O silêncio de...", de Rui Chafes
música: Blume, de Einsturzende Neubauten)
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